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Escola Bíblica Dominical

Posted by Antonio maximino


 
O genuíno culto pentecostal 

 

 


Comentário

(I. Introdução)

Hoje, veremos sobre a liturgia do culto a Deus. Este termo não é muito usual no meio pentecostal, significando o conjunto dos elementos que compões o culto cristão conforme relatam os textos de At 2.42-47; 1Co 14.26-40, e Cl 3.16. Embora possamos encontrar liturgia sem culto, não é possível haver culto sem liturgia (Is 1.11-17; 29.13; Mt 15. 7-9, e 1Co 11.17-22). Como sugere o título da lição, veremos qual é o verdadeiro alvo do culto genuinamente pentecostal – a Trindade Divina – Pai, Filho e Espírito Santo. O culto a Deus deve se constituir num estado de espírito permanente na vida daqueles que reconhecem a sua soberania, desde o despertar até o adormecer, buscando a comunhão com ele. O nosso culto pode ter caráter individual ou coletivo, sendo este último caracterizado quando nos reunimos como igreja de Cristo para, em tempo e local pré-determinados, cultuarmos a Deus em conjunto. O pastor Isaltino Gomes Coelho, em seu artigo "A Principal Missão da Igreja", publicado em O Jornal Batista, edição de 27/7/97 e 2/11/97, no suplemento Notas em Pauta, da AMBB (Associação dos Músicos Batistas do Brasil), declara que o culto à Trindade Divina é a principal finalidade da existência da Igreja Cristã. Desse artigo extraí a seguinte declaração do autor: "A principal missão da Igreja, para mim, não é a evangelização, mas a adoração. Se a evangelização fosse a razão de ser da Igreja, fosse sua missão primeira, no céu não haveria Igreja, pois que lá não há perdidos para evangelizar. Mas no céu há e haverá Igreja porque lá há e haverá Deus. Ela existe em função dele e não dos perdidos. (…) Verdade é que Jesus nos deixou um "Ide", mas antes deste houve um "vinde". Os discípulos foram chamados a ele." (Mt 10.1). Boa aula!

(II. Desenvolvimento)

I. ADORAÇÃO E CULTO

1. O verdadeiro significado do culto. Leitourgia é encontrado em 2Co 9.12 (administração); Fp 2.17; 2.30 (serviço). Latreuõ, ´é o serviço a Deus, significa: 'adorar'; 'servir' [1]. O termo culto tanto no AT (abad) quanto no NT (latreuo), encerra o sentido de 'servir', 'serviço', referindo-se ao 'serviço sagrado oferecido a uma divindade' (Êx 20.5; Mt 3.10). No sentido etimológico, a palavra "liturgia" significa "uma ação do povo", pois é a junção dos vocábulos leitos e ergon, formando leitourgia. O sentido natural de liturgia é ministério ou serviço do povo. Do ponto de vista do apóstolo Paulo, a tradução correta de leitourgia seria "serviço de adoração" (Gl 5.19-22). Outros termos derivados ajudam a elucidar o vocábulo liturgia: Leitourgós, que significa "servo, servidores"; Leitourgikós, que significa "ministradores" (Hb 1.14). O culto de adoração a Deus é a mais sacra reunião da Igreja, em gratidão ao Senhor por todas as bênçãos salvíficas (Sl 116.12,13). A pessoa principal do culto não é o pregador, o cantor, os conjuntos, os obreiros, mas o Senhor Jesus Cristo. O culto bíblico é a devida resposta das criaturas racionais à auto-revelação do seu Criador. O culto honra e glorifica a Deus, ofertando a Ele agradecidamente todas as suas boas dádivas e todo o seu conhecimento de sua grandeza e graça que Ele tem concedido. Devemos louvá-Lo por aquilo que Ele é, agradece por aquilo que Ele tem feito, desejar que Ele aumente a sua glória por meio de contínuos atos de misericórdia, juízo e poder. Muitos estão participando do culto sem entender o seu significado, esperam ser 'abençoados' ou 'ouvir Deus falar consigo', esquecendo que o culto é um serviço de adoração à Deus, é para servir e não para ser servido. Søren Asbye Kierkegaard (1813-1855), filósofo e teólogo luterano dinamarquês, em seu livro Purity of Heart is to Will One Thing, traça um paralelo entre o culto cristão e a dramatização teatral. Sua visão é de que, comparativamente, o culto se assemelha a uma dramatização. No culto, o corpo de atores é constituído pela congregação (a igreja), sendo os ministros, o coro, os solistas, os instrumentistas, os declamadores e outros, os "pontos" (de apoio) fora do palco para dar "deixas" para o exercício da adoração coletiva; Deus é o auditório, a platéia, aquele que recebe a performance da adoração [2]. Em seu livro, anteriormente citado, Kierkegaard faz a seguinte declaração: "No sentido mais enfático, Deus é o crítico freqüentador de teatro, que observa para ver como o texto é declamado, e como ele é ouvido… O orador, portanto, é o ponto, e o ouvinte encontra-se abertamente diante de Deus. O ouvinte, se posso assim dize-lo, é o ator, que verdadeiramente atua diante de Deus." [3].

2. A essência do culto a Deus é a adoração. A palavra hebraica que mas se usa para "adoração" no velho testamento significa "inclinar-se", por exemplo, em Gn 18.2. A palavra grega que geralmente se utiliza no Novo Testamento é "proskuneo", e significa "prestar honra", tanto a Deus como aos homens. É dever de toda criatura adorar a Deus (Ne 9.6). Os homens são chamados a dar glória a Deus e a adorá-Lo (Ap 14.7), e em breve, toda a terra O adorará (Sf 2.11; Zc 14.16; Sl 86.9). A verdadeira adoração é prestada a Deus somente por aqueles que nasceram do Espírito de Deus. "Aquele que é nascido da carne, é carne", disse Jesus, e, portanto, toda assim chamada adoração feita por pecadores não regenerados é carnal. Somente um coração regenerado pode cantar a nova canção (Sl 40.3). Encontramos nas Sagradas Escrituras a revelação do Deus a Quem devemos adorar e como devemos adorá-Lo: "com reverência e santo temor". A Bíblia produz a atmosfera e fornece os temas, as orações, os louvores e a pregação. Dessa forma, possuímos um padrão para conhecer o que é certo e o que é errado em tudo o que é falado e cantado. Desfrutamos, também, uma maravilhosa liberdade de todas as tradições e artefatos que são introduzidos pelos modismos na tentativa de 'avivar' a adoração. A verdadeira adoração é essencialmente simples.

3. Adoração completa e incondicional. A verdadeira adoração surge a partir de um contínuo andar com Deus. Um homem que dificilmente pensa em Deus durante os seus dias, não está apto a adorá-lo corretamente. Quando um crente não produz uma vida contínua de adoração, ela não será completa nem incondicional. "Nós não vamos à igreja para adorar, porque a adoração deveria ser a atividade e atitude constantes do cristão dedicado. Nós vamos à igreja para adorar pública e corporativamente". (John Armstrong). "Adoração é a submissão de todo nosso ser a Deus. É tomar consciência de sua santidade; é o sustento da mente com sua verdade; é a purificação da imaginação por sua beleza; é a abertura do coração a seu amor; é a rendição da vontade a seus propósitos" (William Temple). A adoração deve ser a atividade principal, tanto particular como comunitária, na vida de cada crente (E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. Cl 3.17).

Sinópse do Tópico

O culto, assim como todas as nossas ações, deve ser um ato de adoração a Deus onde reconhecemos a sua grandeza e magnitude.

II. COMPOSIÇÃO DO CULTO PENTECOSTAL

1. Liturgia do culto pentecostal. O culto dos crentes primitivos que, nos primeiros dias da Igreja em Jerusalém não diferia muito da liturgia judaica (At 3.1), passou a ser dinâmico, espontaneo e com manifestações periódicas dos dons concedidos pelo Espírito Santo (Rm 12.6-8; 1Co 12.4-11, 28-31). O termo grego leitourgia é também utilizado para designar a forma de oração recitada em sinagogas judaicas. Para os protestantes, o termo descreve uma forma de culto, em contraste com a espontaneidade que ocorria, por exemplo, na Igreja de Corinto. Como povo de Deus, devemos adorá-lo. Isso implicaleitourgia – "Obra pública ou dever público". Em outras palavras, ao tratar de liturgia cristã, devemos fazê-lo sob a perspectiva da doutrina da adoração cristã. Paulo declarou que a verdadeira adoração é aquela que se oferece a Deus pelo Espírito, não confiando na carne, mas gloriando-se em Jesus (Fp 3.3). O culto pentecostal caracteriza-se por manifestações emocionais, sonoras, visíveis, os quais representam a atitude do adorador, sem dogmatizar formas externas de cultuar por entender que elas podem engessar a liberdade de espírito de manifestação; isto implica numa responsabilidade maior ao Ministro: um culto genuinamente pentecostal, o ministro da Igreja deve ter o cuidado de ensinar acerca do equilíbrio entre emoção e espiritualidade, sem bloquear a ação do Espírito Santo. No dizer do Pr Elienai Cabral, "Como vamos averiguar se determinada prática é correta ou incorreta? Pela Palavra de Deus. O que deve prevalecer? É o que diz e ensina a Bíblia, nossa regra de fé e conduta. "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo", 2Pd 1.20-21[4].

2. Elemento do genuíno culto pentecostal. Elementos que compões a liturgia pentecostal:

a). Leitura da Palavra:- A leitura, a meditação, o estudo e a pregação da Palavra de Deus devem ser considerados e jamais negligenciados na liturgia. É fundamental que todo culto, todo estudo bíblico e toda pregação tenha apoio escriturístico. A mensagem na igreja tem que ser Cristocêntrica. Se Jesus Cristo não for o centro, alguma coisa está fora de lugar e acaba por não produzir os resultados esperados. Cremos que a Palavra de Deus é a que traz equilíbrio ao homem e o previne para não desequilibrar-se; ela produz pureza segundo a declaração do salmista: "Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti." (Sl 119.11). Igualmente, ela ilumina o caminho do crente: "Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho"( Sl 119.105). Praticamente todo o Salmo 119 é uma apologia do poder, do valor e da excelência da Palavra de Deus. Precisamos reaprender a dar à Palavra o espaço que lhe é por direito na liturgia. O estudo da mesma é fundamental para o crescimento do novo convertido e dos crentes em geral. Jesus disse aos judeus: "Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus" (Mt 22.29). Os grandes discursos apologéticos de Pedro, de Estêvão e de Paulo continham em si mesmo uma grande dose de Palavra. A argumentação destes homens não foi de meras interpretações pessoais ou de ideias preconcebidas, mas, sim, foi com base na Palavra do Antigo Testamento. A pregação da Palavra é fundamental. Por ela vem a revelação de Deus à vida do homem, e por ela a fé é aumentada [5].

b). Cânticos na adoração:- Adoração: Dicionário Brasileiro Globo - Culto a Deus; (fig.) amor profundo; veneração; Minidicionário Luft - Ato de render culto a (divindade). 2. Amar ao extremo. A adoração só é devida a Deus, uma vez que adorar é venerarrender culto, o que implica em uma relação direta entre o adorador e a divindade. Estamos acostumados a ouvir o termo 'louvor' ao referir-se sobre música na igreja, em detrimento do termo 'adoração'. Louvor:- Dicionário Brasileiro Luft – Ato de louvar; elogio; glorificação; apologia; Minidicionário Luft – 1. Elogio; encômio; aplauso. 2. Exaltação; glorificação. Disso concluímos: O que é louvor? Exaltar, glorificar, bendizer a nosso Deus. 1 Cr. 29.20 e Cl.3.16; O que é adoração? veneração elevada que se presta a Deus, reconhecendo-lhe a soberania sobre o universo, o governo moral e a força dos seus decretos é a manifestação da gratidão por suas bênçãos e proteção. O louvor e a adoração é uma das partes constitutivas do culto coletivo. Sem verdadeira adoração e louvor a Deus, não há verdadeiro culto. (Sl 98.1; 104.4; 150).Todo culto verdadeiro oferece louvor a Deus. O homem é peça fundamental na realização do culto, no entanto, é Deus o centro das atenções, o alvo do culto, e a maior parte dos louvores entoados em nossos cultos não são cristocêntricos. Onde estão os hinos cristocêntricos? Procure nos hinários antigos! Devemos rejeitar todos os hinos da atualidade? É claro que não. Mas devemos estudar as letras antes de entoá-los para evitar erros teológicos e heresias. Pregadores, cantores famosos, devem procurar algum programa de televisão para se apresentarem, porque o único digno de toda honra, glória e poder é Cristo Jesus nosso Senhor. (Ap 15.12-14).

c). As orações e as ofertas:- O ofertório e a coleta de dízimos também é um devocional (Lc 21.1-4; 2Co 9.1-15; 1Co 16.1-4; Rm 15.26 e Hb 7). Devemos lembrar-nos que tudo quanto possuímos pertence a Deus, de modo que aquilo que temos não é nosso: é algo que nos confiou aos cuidados. Não temos nenhum domínio sobre as nossas posses. Devemos decidir, pois, de todo o coração, servir a Deus, e não ao dinheiro (Mt 6.19-24; 2Co 8.5). Adoramos ao Senhor ofertando voluntária e generosamente, pois assim é ensinado tanto no Antigo Testamento (Ex 25.1,2; 2Cr 24.8-11) quanto no Novo Testamento (ver 2Co 8.1-5,11,12). Não devemos hesitar em contribuir de modo sacrificial (2Co 8:3), pois foi com tal espírito que o Senhor Jesus entregou-se por nós (ver 2Co 8.9 nota). Para Deus, o sacrifício envolvido é muito mais importante do que o valor monetário da dádiva (ver Lc 21.1-4).

Sinópse do Tópico

O culto ao Senhor deve ter ordem e decência. A leitura da Palavra, cânticos de adoração ao Senhor, orações e as ofertas voluntárias são elementos indispensáveis para a realização do culto racional a Deus.

III. MODISMOS LITURGICOS

1. Adoção de movimentos estranhos ao cristianismo do Novo Testamento. Estamos numa época de muitas inovações na liturgia e inserções de práticas estranhas ao pentecostalismo tradicional – as mais diversas unções (do riso, do leão, da lagartixa, etc), cair no poder, danças espirituais, entre outros. Estes modismos muitas vezes, são trazidos por pessoas que dizem ter uma nova unção do Espírito. Como bem escreve o Pr Ciro Sanches Zibordi em seu artigo 'Modismos no Culto Pentecostal': "Esta, porém, não existe, visto que a unção do Espírito de Deus é uma só, como ensina o apóstolo João: "E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo", 1Jo 2.20. Nesse caso, interessar-se por manifestações estranhas, diferentes das apresentadas no NT, é se opor à legítima operação do Espírito Santo[6]. Em 1Co 14, Paulo ensina, no versículo 40: "Mas, faça-se tudo decentemente e com ordem". Sejamos pentecostais, mas não nos esqueçamos da ordem, da decência e do equilíbrio. E jamais deixemos os verdadeiros elementos de um culto pentecostal: "Cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para a edificação", (1Co 14.26).

2. Cultos exóticos. "Muitos de nossos erros nas áreas onde estão envolvidos os dons espirituais surgem quando queremos que o extraordinário e o excepcional sejam transformados no freqüente e no habitual. Que todos que desenvolvem desejo excessivo pelas "mensagens" transmitidas por meio dos dons possam aprender com os enormes desastres das gerações passadas com nossos contemporâneos [...] As Sagradas Escrituras é que são lâmpada que ilumina nossos passos e a luz que clareia nosso caminho." Donald Gee, pastor assembleiano em 1963 [7]. Transcrevo a seguir, uma entrevista com o Dr Paulo Romeroà Revista Fiel:

RF – Quais foram os principais modismos teológicos dos últimos tempos que causaram maiores estragos ao povo de Deus no Brasil?

PR – A Teologia da Prosperidade é um, depois outras doutrinas que foram aparecendo como a Quebra de Maldição Hereditária, o G-12 e as distorções na área de batalha espiritual, porque a ênfase passa a ser nos demônios, em espíritos territoriais. São várias as distorções na área de batalha espiritual. Vimos também os abusos na área dos milagres. E como combater isso? Só existe um meio: com a Bíblia. É preciso voltar aos fundamentos, ao básico, à Palavra de Deus.

RF – Recentemente entrevistamos o professor James Packer, que nos disse que a Teologia da Prosperidade já não tem força nos EUA como antes. O senhor acredita que a Teologia da Prosperidade ainda terá muito fôlego no Brasil e na América Latina?

PR – Ela terá por causa da tirania do mercado. Ela precisa de dinheiro para sobreviver e as igrejas que pregam a Teologia da Prosperidade conseguem arregimentar a multidão. Essa doutrina prega o que as pessoas querem ouvir. Ela oferece uma ajuda imediata para problemas imediatos. "Você, que não consegue casar, vem aqui e vou lhe arranjar um parceiro". Ou "Você, que não consegue prosperar, faz a corrente aqui e vai prosperar".

RF – Quem é o culpado pela ênfase nas soluções imediatas para os problemas?

PR – Esse é o grande problema. Muitas igrejas não pregam mais a Salvação. Elas pregam a solução de problemas. Mudaram o foco. Elas não têm, por exemplo, um trabalho a médio e longo prazo com os seus membros, porque aí precisam falar de vida eterna. Você já viu, por exemplo, essas igrejas falarem sobre Céu, Santificação e Volta de Cristo? Tem pregador que nem quer que Jesus volte, porque ele está tão bem na vida hoje que a Volta de Cristo irá estragar os planos dele.

RF – O senhor tem falado ultimamente que tem aumentado no Brasil o número de crentes desiludidos e frustrados com a fé cristã por terem acreditado na Teologia da Prosperidade. Como tratar os crentes nessa situação?

PR – Os pesquisadores e sociólogos chamam isso de "trânsito religioso". Há uma igreja em trânsito hoje. São milhares e milhares de crentes, talvez milhões, que não conseguem mais parar em igreja nenhuma. Eles transitam. Qual a igreja que oferece a melhor proposta ou o melhor entretenimento? Qual a igreja que vai oferecer o melhor show daquele fim de semana?

Converti-me ao Evangelho em 1971 e, naquela época, nunca esperava que um dia algumas denominações chamassem um culto evangélico de show. Agora tudo é show. Há igrejas que só funcionam como shows. É a forma de prender a multidão. "Olha, hoje à noite tem fulano de tal, amanhã tem beltrano e depois aquele outro", e não pára. Porque, se parar, o povo vai embora.

RF – E como tratar um crente assim?

PR – É preciso ensino da Palavra, porque as pessoas que saem dessas igrejas chegam cheias de ensinos distorcidos. Elas chegam falando, por exemplo: "Fulano foi ungido pastor". Mas na Bíblia não existe unção para pastor. Na Bíblia as pessoas eram ordenadas ao ministério por imposição de mãos, e não ungidas, e a unção não é privilégio de um grupo. Eles vêm cheios desses cacoetes "Eu declaro", "Eu reivindico", "Eu não aceito", "Eu determino", "Eu decreto", chegam com distorções doutrinárias.

Aí você tem que ensinar à pessoa que o fato de ela estar em crise não quer dizer que é amaldiçoada. Nunca vi isso. Essa coisa de determinar tudo é falta de ensino. Terão também que repensar a questão do sofrimento, que faz parte da Teologia. Muitos pensam que não existe sofrimento para o crente. O crente não pode adoecer, sofrer, ter dívidas etc. Às vezes fico pensando: até que ponto a pessoa pode acreditar na aguinha em cima do rádio, na cruz pregada na parede, nos sabonetes ungidos…batismo no Espírito Santo com pó de ouro! Há ainda o tapete ungido, a campanha para os adeptos ganharem na loteria etc. O ser humano tem a habilidade de crer em qualquer coisa.

O discipulado é também muito importante. Esses crentes passam a viver uma crise de conversão. As igrejas por onde passaram são fortes na sua ação evangelizadora, atraem o povo, mas são fracas na sua ação discipuladora. Elas não conseguem mais discipular. Porque, para discipular, gasta-se tempo, envolvimento, e isso não existe mais.

Além disso, muitos pregadores de hoje vivem no avião, falam com as pessoas da tevê, não têm mais relacionamentos, a não ser com empresários. Precisamos ajudar as pessoas a crescerem para que possam ajudar outras depois. Uma coisa muito importante ainda é o acolhimento. É preciso acolher essas pessoas, não olhá-las com suspeitas, porque, na verdade, elas já se decepcionaram onde estiveram.

RF – O Movimento Pentecostal foi, sem dúvida, um dos últimos avivamentos que a igreja experimentou nos últimos séculos, afetando o crescimento e a História da Igreja no mundo. No final do século 20, uma versão diferente desse movimento surgiu, com modismos sem base bíblica. Deixando de lado esses desvios, quais os benefícios do Movimento Pentecostal para a Igreja, especialmente no Brasil?

PR – A grande contribuição do Movimento Pentecostal foi a evangelização. Ele é o maior movimento evangélico do mundo. Não tem maior. Mas não foi só a AD, outras igrejas também enfatizavam a evangelização. Hoje, porém, infelizmente, muitas igrejas estão substituindo a evangelização pela competição, pelo proselitismo. Tem muito mais crente mudando de igreja do que pecador aceitando a Cristo. Há igrejas que crescem hoje por competição e não pela evangelização, e com isso aí o Reino de Deus não cresce. Só se muda o peixe do aquário.

RF – O que é preciso para se fazer apologética cristã saudável?

PR – Principalmente equilíbrio. Há pessoas que são apologistas, mas exageradas, sensacionalistas. É preciso amor. Vejo muitos apologistas hostis, atacando as pessoas. Não gosto nem mais de usar o termo seita ou heresia. Acho muito pejorativo. Hoje falo de fenômeno religioso ou movimentos religiosos.

A apologética precisa aprender a construir pontes e não levantar muros. Se ela já chega atirando, o pessoal corre. Os apologistas precisam aprender a dialogar. Não precisa ser hostil. A Bíblia diz: "Falai a verdade com amor". Além disso, a informação a ser transmitida deve ser apurada [8].

 

Sinópse do Tópico

Os modismos e cultos exóticos não podem produzir nada mais que movimentação, pois o avivamento só acontece quando a Igreja se volta à Palavra de Deus.

 

(III. Conclusão)

A Bíblia recomenda que todos, pelo Espírito Santo, falem em línguas e profetizem (1Co 14.5), mas que também exerçam os dons espirituais com sabedoria, ordem e decencia (1Co 14.26-33, 37-40), a fim de que o nome do Senhor seja glorificado (1 Co 14.25), o incrédulo seja convertido (1Co 14.22-25) e a Igreja edificada (1Co 14.26).

 

Aplicação Pessoal

Temos consciencia de que o culto genuinamente pentecostal deve ser orientado pelo Espírito Santo, e que Ele usa aqueles que se colocam à sua disposição. É maravilhoso notar que somos instrumentos do Espírito Santo e é do agrado do Senhor que seus servos estejam devidamente informados sobre qualquer procedimento nas atividades que a cada crente têm sido conferidas. A direção do Culto cabe ao Espírito mas a participação do crente é indispensável. A disposição correta, o sentimento de ação de graças e o desejo de ofertar um culto racional (Rm 12.1). O reino de Deus é um reino de decência e ordem. Não há espaço para improvisos de última hora. A construção da arca e do tabernáculo comprovam a mensagem de organização que Deus quer nos ensinar. Até na salvação haverá ordem (1Co 15.23).

N'Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8),

Francisco A Barbosa

auxilioaomestre@bol.com.br

 

 
O genuíno culto pentecostal – 1


Pb. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD
INTRODUÇÃO
O culto é um dos principais elementos litúrgicos da fé evangélica. Mas ao longo do tempo, em virtude da pecaminosidade humana, e da busca pela satisfação própria, esse tem sofrido uma série de deturpações. Na lição de hoje, estudaremos a respeito do genuíno culto pentecostal. Inicialmente, definiremos bíblico-teologicamente o que significa cultuar, em seguida, a fim de evitar o antropocentrismo no culto, destacaremos que seu caráter teocêntrico, e ao final, apontaremos os aspectos do genuíno culto pentecostal.
1. DEFINIÇÃO DE CULTO
O termo culto, tanto no hebraico quanto no grego, dá a idéia de serviço, por isso, na língua inglesa, quando alguém vai ao culto, usa o termo "service". Na língua portuguesa, a idéia de culto, infelizmente, costuma ser associada ao simples fato de freqüentar e assistir a uma celebração religiosa, costumeiramente evangélica. Os dicionários definem "culto" como um "conjunto das práticas religiosas usadas para prestar homenagem ao divino; liturgia" No hebraico, as palavras para culto são as seguintes: 1) Sharath que significa, a princípio, "freqüentar" algum lugar enquanto servo ou adorador e ocorre três vezes em Ex. 35.19; 39.1; 39.41; 2) Tsabha pode ser encontrada sete vezes, e é usada em conexão com os serviços executados no tabernáculo, seu sentido primário aponta para o ajuntamento para guerrear, dentre as referências bíblicas, destacamos: Nm. 4.30, 35, 39, 43, 8.24; 3) Yadh que significa literalmente "abrir a mão, indicar direção, ministrar com poder", se encontra em I Cr. 6.31 e 29.5; 5) abhidhah que significa negócio e trabalho: Ed. 6.18; e 6) polchan, da raiz de adorar, ministrar: Ed: 7.19. No Novo Testamento, os termos gregos para cultuar são os seguintes: 1) douleuo, que significa, literalmente, ser escravo, estar atado a um serviço: Gl. 4.8; Ef. 6.7; I Tm. 6.2); 2) latreia, cujo sentido é o de render uma homenagem religiosa, manejar o serviço para Deus, e adorar: Jo. 16.2; Rm. 9.4; 12.1 e serviço espiritual: Hb. 9.1,6; e 3) leitourgia que significa desempenhar funções religiosas na adoração, ministração, dessa palavra vem o termo português liturgia, pode ser encontrada em Fp. 2.17,30. A palavra "culto", comumente utilizada em português, veio do latim, cujo sentido também é o de "adoração ou homenagem que se presta a uma divindade". Na acepção cristã, o culto é uma disposição humana integral para adorar o Deus Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, que se revelou em Jesus Cristo, o Verbo que se fez carne.
2. O CULTO AO SENHOR
O culto cristão deva ser dirigido ao Senhor, somente Ele é digno de toda honra, glória e louvor (Sl. 29.2; 96.9). Em virtude da natureza pecaminosa do ser humano, este tem uma tendência à egolatria, isto é, à adoração de si mesmo. A sociedade moderna escolheu os seus deuses, e a eles presta o seu culto, dentre os quais destacamos: o dinheiro, o corpo e as celebridades. Mamom tem sido amplamente adorado, o próprio Jesus destacou o perigo do culto ao dinheiro, comumente conhecido entre nós por Mercado (Lc. 16.13). A cultura do corpo, como conseqüência do materialismo científico, tem enfatizado unicamente o bem-estar físico, em detrimento do espiritual. Evidentemente, o corpo é templo e morada do Espírito Santo (I Co. 6.19), mas não pode ser objeto de culto, mesmo o conceito de saúde precisa estender-se à dimensão espiritual, pois o exercício físico tem algum proveito, mas a piedade serve muito mais (I Tm. 4.8). Ao invés de adorar a Deus, muitos atualmente elegeram seus ícones para se debruçarem diante deles. O culto às celebridades também é praticado no contexto evangélico, há quem adore mais aos adoradores do que a Deus, aos pregadores da Palavra que o Deus da Palavra. Influenciadas pela modernidade, muitas igrejas valorizam demasiadamente a aparência do culto, ao invés de centrar-se no principal, a adoração a Deus (Sl. 95.6). Em Jo. 4.23 e 24, ao responder à indagação da mulher samaritana sobre o lugar certo de cultuar, Jesus afirma que é Deus quem busca os adoradores, e que somente estão aptos à adoração os que o fazem em espírito e em verdade, isso porque Deus é Espírito, por isso, deva ser adorado como tal, em conformidade com a revelação de Cristo, que é a Verdade (Jo. 14.6). Portanto, mais importante do que o lugar, é a disposição espiritual, a reverência, redenção e amor a Deus, Sujeito e Objeto da adoração. Muitos cultos supostamente evangélicos atualmente servem apenas para cumprir um mero ritual, as pessoas se reúnem pelos motivos mais diversos, exceto pelo principal a adoração ao Pai em espírito e verdade, conforme Jesus ensinou.
3. GENUINAMENTE PENTECOSTAL
A respeito da estrutura do culto, a partir de I Co. 12.40, sabemos que tudo deva acontecer com decência e ordem, para a edificação do Corpo de Cristo (I Co. 14.26), e que esse deve ser racional (Rm. 12.1). Na igreja primitiva, por não disporem de templos, os primeiros crentes se reuniam nas casas (At. 3.1; 4.23,24), onde oravam e adoravam ao Senhor, oferecendo contribuições voluntárias para a obra de Deus (I Co. 16.2; II Co. 9.7; Fp. 4.18). Nesses encontros, havia espaço para a leitura de textos bíblicos (At. 2.42; 17.11) e cânticos de adoração (Ef. 5.18-21). A liturgia assembleiana se baseia nesses elementos do culto neotestamentário, com algumas adaptações regionais. Os cultos costumam ter oração inicial, hinos da Harpa Cristã, hinos cantados pelos conjuntos e corais da igreja, leitura bíblica oficial do culto, oração que segue logo após a leitura, apresentação dos visitantes, hinos avulsos cantados por irmãos e irmãs da igreja local, durante um dos hinos os dízimos e ofertas são arrecadados, depois vem à pregação evangelísticas e/ou exposição bíblica (doutrina ou instrução). Ao final, caso se trata de um culto evangelístico, faz-se o apelo aos visitantes, e conclui-se com uma oração final. Embora essa ordem seja comumente observada, o contexto pentecostal sempre foi marcado pelas operações sobrenaturais do Espírito Santo. Ao longo do culto pessoas podem profetizar, falar línguas (contanto que haja quem interprete), orar pela cura das doenças e enfermidades. A condução do culto deva ser submetida à direção do Espírito Santo, que, através da exposição bíblica e da manifestação dos dons, edifica a igreja de Cristo.
CONCLUSÃO
A tradição é importante, portanto, a ordem litúrgica do culto assembleiano deva ser observada, afinal, conforme orienta Paulo, tudo deva se acontecer com decência e ordem. Não podemos esquecer que o culto genuinamente pentecostal é obra do Espírito Santo, que, por meio da exposição das Escrituras e manifestações sobrenaturais, opera maravilhosamente na igreja para o que for útil. Devemos também destacar que o culto na igreja é apenas uma extensão do culto que tributamos a Deus, a todo instante, em todos os lugares, experimentando a boa, perfeita e agradável vontade de Deus, em cada momento da vida cristã (Rm. 12.1,2).
BIBLIOGRAFIA
HORTON, S. M. A doutrina do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
SOUZA, E. A. de. Nos domínios do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 1987.
 
A vocação do professor da EBD

Posted: 16 May 2011 06:23 AM PDT




Prof. Valmir Nascimento Milomem Santos

Uma das lições que aprendemos com Jesus é a escolha da sua equipe. Quando recrutou seus discípulos, Cristo escolheu homens não pelo que faziam (ofício) ou pelo que tinham (posses), mas pelo que queriam (objetivo). O mais importante era que seus discípulos tivessem duas características marcantes: vontade de aprender e desejo de ensinar. Deveriam estar dispostos a darem tudo de suas vidas pela Missão.

Aparentemente, as pessoas escolhidas por Jesus para serem seus discípulos não tinham muito a oferecer. Robert Coleman escreve: "O aspecto mais revelador sobre aqueles homens é que, a princípio, nenhum deles impressionava. Ninguém ocupava posição de destaque na sinagoga, e nenhum deles pertencia ao corpo sacerdotal levita. A maioria era formada por trabalhadores comuns, e provavelmente não tinha qualquer qualificação além do conhecimento básico necessário para o exercício de sua profissão. Talvez alguns pertencessem a famílias abastadas, como os filhos de Zebedeu, mas nenhum deles poderia ser considerado rico. Não tinham formação acadêmica nsa artes e filosofias daquele tempo. Assim como o Mestre, a educação formal que receberam consistia apenas no que se aprendia nas escolas das sinagogas. Muitos cresceram na área mais pobre em torno da Galiléia".[i]

Portanto, os homens recrutados por Jesus eram pessoas simples, sem qualificação e, em primeira instância, inaptos para a função. Mesmo assim, Cristo viu neles potencial de liderança para o Reino.

O primeiro passo, rumo à multiplicação de talentos na igreja, consiste na localização dos aspirantes ao ensino. Deve-se saber, a priori, quem são as pessoas interessadas em trabalhar com a Escola Dominical, pois, assim como qualquer função eclesiástica, o ensino da Palavra de Deus requer uma atitude voluntária e espontânea. A liderança deve necessariamente escancarar as portas para as pessoas vocacionadas, interessadas e completamente comprometidas em levar conhecimento ao próximo e fechá-las para os desinteressados e descomprometidos. Pois, infelizmente, temos visto constantemente novos professores que são "jogados" em algumas salas de aulas, os quais não possuem vocação, tampouco qualificação.

Recrutar professores para a Escola Dominical não é das tarefas mais fáceis. Marcos Tuler[ii] assevera que "a maior dificuldade, por incrível que pareça, reside na indisponibilidade dos recursos humanos ou na imperícia e insensibilidade para lidar com eles". Segundo Tuler, os professores devem ser escolhidos com base na vocação, aptidões específicas e na chamada divina para o magistério cristão.

Segundo Lécio Dornas "não basta saber a lição ou dominar as técnicas de ensino; é necessário saber o caminho da cruz e ter coragem para chegar-se aos pés de Jesus em oração, dia após dia. O professor é, antes de tudo, um adorador e um servo dependente em tudo do Senhor".[iii]

Portanto, atuar como educador cristão não é uma questão de gosto, muito menos de conveniência, mas sim de vocação. O apóstolo Paulo escreveu: "Cada um fique na vocação em que foi chamado." (I Co. 7.20)

1. O que é vocação para o ministério do ensino?

A palavra vocação vem do latim vocare que significa chamado. Segundo a Bíblia, todo cristão é chamado segundo o propósito de Deus (Rm. 8.28); para ser de Cristo (Rm. 1.6); e para a comunhão com Ele (1Co. 1.9). Esse é o chamado geral que atinge a todo aquele que aceitou ao Senhor Senhor. Como define Os Guinnes "O chamado é a verdade com que Deus nos chama para si mesmo tão decisivamente que tudo o que somos, tudo o que fazemos e tudo o que temos é investido com devoção especial, dinamismo e direção vividos como resposta à sua convocação e serviço".

Por outro lado, existe a chamada específica, onde o cristão é vocacionado para atuar em uma determinada área da obra do Senhor. Nesse caso, como leciona Luiz Alves de Mattos  "vocação é a propensão fundamental do espírito, sua inclinação geral predominante para um determinado tipo de vida e de atividade, no qual se encontra plena satisfação e melhores possibilidades de auto-realização".[iv]

Em relação ao ensino cristão, a vocação revela-se como um conjunto de predisposições; preferências, atitudes e ideais de cultura e de sociabilidade[v], de forma que o cristão vocacionado para o ministério de ensino apresenta algumas características que o distigue dos demais.

2.      Características do professor vocacionado

2.1.Um forte amor pelo ensino

Em primeiro lugar, o cristão vocacionado possui um desejo ardente pelo ensino. Ele está constantemente buscando meios de ensinar algo aos seus semelhantes. Não somente acerca da Bíblia e da vida cristã, mas sobre todo o conhecimento que dispõe, e em qualquer área da vida.

Quem foi chamado para ser professor não tenta esconder aquilo que sabe. Ele não age como um avarento intelectual, pelo contrário, instruir as outras pessoas é o que o faz feliz. Ensinar coisas novas ao próximo é o combustível da sua vida.

2.2.Um forte amor pelo aprendizado

Essa segunda característica é uma decorrência da primeira. Quem ama o ensino, ama o aprendizado. Isso porque somente se ensina aquilo que se sabe. Somente se oferece aquilo que se tem. Como escreveu Howard Hendricks "quem pára de crescer hoje, pára de ensinar amanhã. Hendricks chama isso de a "lei do professor":

"A idéia implicita nessa lei é a de que, antes de ser professor, sou um aprendiz, um estudante ensinando estudantes. Estou dando continuidade ao processo de aprendizagem. Ainda estou a caminho de minha meta. E, vendo-me como estudante ao desempenhar meu papel de mestre, vou encarar o processo didático por um ângulo totalmente novo e pessoal".[vi]

Assim, o vocacionado ao ensino está constantemente em busca de novos conhecimentos. Está sempre em processo de aprendizagem.

Alguém pode perguntar: o amor pelo aprendizado não seria a primeira, e não a segunda característica de um professor? A indagação é pertinente, mas permita-me dizer que essa alegação é igual a denorex: "parece, mas não é!". No caso do professor, a sua motivação para o estudo não é o conhecimento em si mesmo. O que o move a aprender é o "o quê" ele fará com esse conhecimento, ou seja, instruir outras pessoas. O que importta para ele não é quantidade do conhecimento, mas sim o que será feito esse conhecimento. Quanto mais os alunos necessitam, mais ele estuda.

2.3.Um forte amor pela leitura

O professor vocacionado para o magistério é, naturalmente, um estudioso, um leitor assíduo, com sede de novos conhecimentos, capaz de entusiasmar-se pelo progresso da ciência, da cultura ou dos valores que quer transmitir.

Um professor que menospreza o saber, as constantes necessidades e oportunidades de aprender coisas novas, com certeza não conseguirá impregnar em outras pessoas o desejo de ser um profícuo estudioso das verdades bíblicas e nem tampouco da cultura em geral.

Quando alguém menospreza a importância do conhecimento teológico, indubitavelmente esta pessoa ainda não está preparada para exercer o seu papel com pleno vigor, pois o ensinador ou educador cristão necessita destes conhecimentos para levá-los aos alunos, e despertar a compreensão na mente dos mesmos.

2.4.Um forte apego ao relacionamento pessoal

Mostre-me um professor que não gosta de se relacionar com seus alunos que lhe mostrarei um professor sem vocação. Marcos Tuler diz que "a educação e o ensino são fenômenos de interação psicológica e social, por isso, exigem comunicabilidade e dedicação à pessoa dos educandos e aos seus problemas".

2.5.Um forte amor pelas almas:

O autêntico professor importa-se mais com a pessoa do aluno que com a frieza do conteúdo e do currículo. Ninguém se importa pelo que temos a comunicar, a não ser que perceba que o nosso interesse está centrado nele pessoalmente.

A prática docente nos mostra que a escolha de um professor favorito baseia-se num relacionamento pessoal, numa interação com os ouvintes e não na simples capacidade para ensinar.

 

3.      CARACTERÍSTICAS DO BOM PROFESSOR

3.1.Temperamento: Pessoas com temperamentos egocêntricos, fechadas, incapazes de se abrir e manter contatos sociais comuns com determinado grau de calor e entusiasmo, não estão talhadas para a função do magistério. O professor deve entusiasmar-se com seu trabalho de modo que contagie seus alunos.

O professor vocacionado alegra-se pelo que faz e sente-se frustrado quando não consegue dar uma aula de forma satisfatória.

3.2.Saúde e equilíbrio mental: Que tipo de ensino daria um professor com saúde comprometida ou desestruturado mentalmente? Confiaríamos a ele o ensino cristão às nossas crianças e adolescentes?

Estaria apto a ensinar as doutrinas e princípios bíblicos da fé?  Certamente tal pessoa estaria desprovida das qualificações necessárias ao ofício.

3.3.Boa apresentação: Como cativar a atenção de um aluno que não consegue deixar de reparar a negligente aparência de seu professor? Posturas e aparências desleixadas ou insinuantes costumam chamar mais a atenção que qualquer assunto interessante. Saber apresentar-se bem é uma prerrogativa de pessoas que usam o bom senso.

3.4.Voz firme, agradável, convincente: A voz do educador deve expressar sua convicção sobre tudo o que ensina. O professor que fala demasiadamente baixo, vacilante e pelos "cantos da boca", via de regra está inseguro acerca do que sabe ou possui alguma deficiência física. Isto logo será percebido pelos alunos.

3.5.Linguagens fluentes, claras e simples: vejamos alguns cuidados com a linguagem:

- A linguagem didática deve ser acessível aos alunos, adequada ao seu nível intelectual;

- A linguagem deve ser simples, não havendo necessidade de usar frases difíceis;

- Deve ser direta, ou seja, tratar objetivamente o assunto abordado;

- Linguagem gramaticalmente correta. Evite a pronúncia errada de palavras do dia-a- dia, que são de fácil correção;

- Ter cuidado com termos ou expressões, evitando o uso de gírias ou palavras vulgares;

- A linguagem deve ser expressiva. Usar o bom humor;

Valmir Nascimento Milomem Santos é graduado e pós-graduado em Direito. Presbítero da AD. Cuiabá/MT. Editor dos blogs www.comoviveremos.com e www.ensinodominical.com.br / Colunista do CPADNews www.cpadnews.com.br


NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
 
[i] COLEMAN, Robert. Plano Mestre de Evangelismo. Mundo Cristão. São Paulo, 2006. p. 18.
[ii] TULER, Marcos. Manual do Professor da Escola Dominical. CPAD. Rio de Janeiro. 2002. p.45
[iii] DORNAS, Lécio. Socorro, Sou professor da Escola Dominical. São Paulo. Hagnos. 2002. p. 31
[iv] TULER, Marcos. Obra citada. p.47
[v] Idem

[vi] HENDRICKS, Howard. Ensinando para transformar vidas. Editora Betânia. 1991. p. 15.

 

 
 
Distintivos da educação cristã

Posted: 16 May 2011 06:19 AM PDT



Vivemos em uma época de diversidade de conceitos, ideologias e paradigmas, fruto de um ambiente pluralista. Diversidade esta que se faz presente em todos os segmentos da sociedade. Na educação não é diferente. Penso que é desejo de todo líder cristão oferecer a sua igreja uma educação que seja eficaz, mas também bíblica. Sendo assim, para não cair na armadilha das muitas filosofias pós-modernas, precisamos estabelecer alguns pressupostos para a educação cristã. Ao longo da história, expoentes da teologia reformada têm enfatizado a importância da educação, desde o seu precursor, Agostinho, que escreveu De Doctrina Christiana – um tratado sobre educação, sua importância e seus métodos – até os reformadores propriamente ditos os quais desenvolveram um excelente tratado sobre a educação cristã.

I. O que é a Educação Cristã?

Antes de vermos o que é educação cristã, precisamos primeiramente ver o que é educação. A educadora Maria Lúcia Aranha nos dá uma definição, escreveu ela: A educação é um conceito genérico, mais amplo, que supõe o desenvolvimento integral do ser humano, quer seja da sua capacidade física, intelectual e moral, visando não só a formação de habilidades, mas também do caráter e personalidade social. Este tem sido um conceito de educação quase que universalmente aceito; ou seja, a educação, pelo menos em tese, visa também desenvolver o caráter do ser humano. Tendo isso em mente, podemos dizer que a educação cristã também se propõe a desenvolver o ser humano de maneira integral, em suas habilidades e caráter. No entanto, trata-se de um processo distinto daquela "educação", pois a educação cristã é assim adjetivada, em razão de ter seus fundamentos e princípios baseados nos ensinamentos das Escrituras Sagradas.
Educação Cristã é: Um processo de aprendizado sustentado pelo Espírito Santo e baseado nas Escrituras, é o processo Cristocêntrico, é o esforço divino-humano deliberado, sistemático e contínuo de comunicar ou apropriar-se do conhecimento, valores, atitudes, habilidades, sensibilidades e o comportamento que constituem ou são consistentes com a fé cristã  Desdobrando esta última definição temos sete distintivos teológicos importantes:

1.1.  Educação Cristã é um processo

Devemos ver a educação cristã como um processo de desenvolvimento do ser humano. Por "processo" entendemos uma ação progressiva que ocorre através de uma série de atos e eventos que produzem mudanças, e não importa se são rápidas ou lentas, desde que conduza a um progresso, a uma melhora.  José Abraham também vê a educação cristã como um processo. Diz ele que a educação é: O processo através do qual a comunidade de fé se conscientiza e se transforma, à luz de sua relação com Deus em Jesus como o Cristo, que o chama a viver em amor, paz e justiça consigo mesmo, com seu próximo e com o mundo, em obediência ao Reino de Deus.

1.2. Educação Cristã ocorre informalmente (Piedade pessoal do educador)

Educação informal é aquela realizada não intencionalmente (ou, pelo menos, sem a intenção de educar). Freqüentemente, o exemplo de um líder cristão é mais educacional do que os conteúdos que ele ensina, pois seus alunos podem aprender mais conteúdos valiosos em decorrência da observação de suas atitudes e de seu comportamento do que em conseqüência de seu ensino. Para Timóteo não ser desprezado em seu trabalho na Igreja de Éfeso, Paulo orienta-o a ser um modelo, no grego tipos para seus ouvintes. Entre outras coisas, Timóteo deveria ser padrão na conduta (Cf. I Tm 4:12).

1.3 Educação Cristã é um processo planejado, sistemático e contínuo

A educação formal é aquela realizada e organizada com o objetivo de educar. Exige-se um planejamento de temas, com horários determinados e uma série de eventos e atividades de ensino elaboradas sistematicamente com a intenção clara de educar. Os alunos sabem exatamente quando a educação começa e quando termina.  Muitas igrejas possuem um departamento educacional interno denominado de Comissão de Educação Cristã ou Religiosa. Seu objetivo é formular um programa unificado de educação, onde objetivos são fixados e uma série de esforços são programados e organizados para a eficácia do ensino.

1.4. Educação Cristã tem como objetivo levar o crente á maturidade

Paulo em Cl 1:28 diz: " o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo". Note bem que Paulo diz que ensinava com uma finalidade: "apresentar todo homem perfeito em Cristo". Obviamente que perfeito aqui não significa ausência de pecados, mas maturidade espiritual.

1.5. Educação Cristã deve se fundamentar nas Escrituras Sagradas

Para alguém chegar a Deus, o Criador, é necessário que tenha a Escritura por guia e mestra. O verdadeiro conhecimento de Deus está na Bíblia. Isto porque, a Escritura é a única regra inerrante de fé e prática da vida da igreja. Partindo da ação de Deus, Lutero distingue claramente os papéis divinos e huma¬nos no aprendizado. O que Deus faz é justificar o homem, preparando-o espiritu¬almente; já o aprendizado humano é temporal, subordinado ao ensino divino

1.6. Educação Cristã é sustentada pelo Espírito Santo

Falando da inspiração das Escrituras, Pedro afirma que "Homens santos falaram ao serem movidos pelo Espírito Santo" (2 Pe 1.21). Assim, cremos que as Escrituras são o produto do Espírito Santo, que não apenas no-las dá, mas também nos capacita a entendê-las, iluminando as nossas mentes e aplicando a verdade de Deus no coração da Igreja. (2 Tm 3.15-17; cf. 1 Tm 4.13)

1.7. Educação Cristã visa a Glória de Deus.

Quais sãos os objetivos finais do processo de educação cristã? Qual é o ponto principal do ensino bíblico? Por que nos gastamos tempo, esforços e energia no processo educacional dentro da igreja? O Catecismo Maior de Westminster em resposta a pergunta 1 diz: "O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo plena e eternamente". Existem muitas passagens bíblicas que sustentam esta proposição. Se concordarmos que este é nosso objetivo último na educação cristã, então isso irá mudar a forma como ensinamos as Escrituras. Iremos ensinar não apenas para que os membros em nossas igrejas aprendam o conteúdo bíblico, mas também para que eles venham a ter uma relação com o Autor da Bíblia. Nós não iremos apenas ensinar para que aprendam mais sobre Deus, mas para crescerem em sua relação com Deus.

CONCLUSÃO
A educação cristã visa o aperfeiçoamento da igreja por meio dos princípios morais da Palavra de Deus. O Senhor Jesus nos deixou explicitamente relatado que deveríamos examinar as Escrituras e o apóstolo Pedro nos recomendou a crescermos na Graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo. O apóstolo Paulo nos recomendou: "Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus… prega a Palavra, insta, quer seja oportuno quer não, corrige, repreende, exorta com toda longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário cercar-se-ão de mestres segundo suas próprias cobiças… e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fabulas" (II Tm 4:1-4).
Precisamos pregar e ensinar a Palavra de Deus a fim de que o povo seja instruído e alicerçado para transmitirem com convicção entendimento e ousadia a mensagem da Salvação.

BÍBLIOGRAFIA:

KENNETH O. & Howard G. Hendricks, Manual de Ensino para o Educador Cristão…/1ª Ed. – Rio de Janeiro: CPAD 1999 P. 5.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. São Paulo, SP: Ed. Moderna. 1989. P.49.
RICHARDS, Lawrence O. Teologia da Educação Cristã 3ª edição – São Paulo, SP: Ed Vida Nova 1996. Pg. 114.
DOWS, Perry G. Introdução à Educação Cristã – Ensino e Crescimento. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã. 2001. P. 194
Pregação Cristocêntrica. São Paulo, SP: Ed. Cultura Cristã. 2002. p. 29 P: Editora Cultura Cristã. 2001. P. 194.
Confissão de Fé de Westminster. Cap. I, parágrafo IV
Confissão de Fé de Westminster, Cap. I, parágrafo X
Catecismo Maior de Westminster. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.

Por Manoel B. Moura Júnior

Fonte: FAETEL

 
 

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